Na advocacia, a IA acelera a primeira versão de minutas, resume autos e audiências, organiza o atendimento inicial pelo WhatsApp e encontra teses no acervo do próprio escritório. O advogado continua revisando, assinando e respondendo pela peça. Os cuidados centrais são sigilo, supervisão humana, informar o cliente sobre o uso e ter uma política interna escrita.
Atualizado em pela equipe BR Freelas
O dia de um escritório de advocacia raramente é consumido pela estratégia. Ele vai embora em tarefas que se repetem: adaptar a mesma notificação pela décima vez no mês, reler centenas de páginas de autos para achar um despacho, responder no WhatsApp perguntas que qualquer pessoa da equipe saberia responder, transcrever audiências e procurar aquela tese que alguém do escritório já usou, mas ninguém lembra em qual pasta está.
Nos departamentos jurídicos o problema é parecido, com outro nome: fila de contratos para revisar, áreas de negócio cobrando prazo e pouca gente para dar conta. A IA generativa entrou nessa rotina rapidamente. Uma pesquisa com advogados de São Paulo, divulgada pelo Migalhas, aponta que 55,1% já usam IA generativa no trabalho. O ponto é que boa parte desse uso acontece em ferramentas abertas, sem controle sobre para onde vão os dados do cliente.
A própria OAB já tratou do assunto. Em novembro de 2024, o Conselho Federal aprovou recomendações para o uso de IA generativa na prática jurídica, com foco em confidencialidade, supervisão humana e transparência com o cliente. Em abril de 2026, o Tribunal de Ética da OAB/SP reforçou que os sócios devem supervisionar o uso e que o escritório precisa de política e treinamento.
Na BR Freelas, desenhamos IA para advocacia a partir desses limites. Montamos agentes de atendimento, automação de minutas, busca em acervo e resumos de audiência dentro de um ambiente com controle de acesso, registro de uso e revisão obrigatória do advogado. E ajudamos a escrever a política interna que coloca tudo isso em papel, para que o escritório possa demonstrar como usa a tecnologia.
Usos de IA
O que dá para automatizar em advogados
Primeira minuta a partir dos modelos do escritório
A IA preenche notificações, contratos e peças recorrentes com os dados do caso, seguindo os modelos e o estilo da casa. O advogado revisa o texto, ajusta a estratégia e assina. Nada sai do escritório sem essa revisão.
Um assistente responde perguntas como 'já usamos essa tese em algum caso trabalhista?' consultando só os documentos do escritório, com indicação da fonte. O advogado confere o documento original antes de reaproveitar.
O agente recebe o primeiro contato, coleta informações básicas do caso, agenda a consulta e responde dúvidas de rotina sobre documentos. Não dá parecer jurídico e encaminha para o advogado responsável sempre que a conversa exige análise.
Gravações autorizadas viram transcrição com marcação de quem falou e um resumo dos pontos relevantes. O advogado valida o resumo antes de enviar ao cliente ou juntar ao relatório do caso.
Leitura assistida de contratos no jurídico interno
A IA destaca cláusulas fora do padrão da empresa, prazos, multas e obrigações, comparando com a minuta aprovada. O advogado decide o que negociar e o que aceitar.
Escrevemos com os sócios as regras de quais ferramentas podem ser usadas, que dados podem entrar, como informar o cliente e quem supervisiona. Incluímos treinamento para a equipe aplicar a política no dia a dia.
Recomendações do Conselho Federal da OAB sobre IA generativa
Orientação
Aprovadas em novembro de 2024, orientam o uso de IA na advocacia com preservação da confidencialidade, supervisão humana sobre o resultado e informação ao cliente antes de usar IA no seu caso.
Em 16/04/2026, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP definiu que os sócios devem supervisionar o uso de IA no escritório, com política interna e treinamento da equipe.
Aprovado no Senado em dezembro de 2024 e em tramitação na Câmara, ainda não é lei. O texto do Senado prevê classificação dos sistemas de IA por nível de risco e avaliação de impacto para os de alto risco. Vale acompanhar, mas hoje não cria obrigações.
Como fica o sigilo profissional e a LGPD se o escritório usar IA?+
Montamos a solução para que os documentos dos clientes fiquem em ambiente controlado, com acesso por perfil e registro de uso. Definimos na política interna o que pode e o que não pode ser enviado a modelos de IA, e revisamos os contratos com os fornecedores de tecnologia. Isso reduz o risco, mas a responsabilidade pelo sigilo continua sendo do escritório.
A IA pode errar numa peça ou numa citação?+
Pode. Modelos de linguagem podem inventar julgados, errar datas ou interpretar mal um documento. Por isso desenhamos cada fluxo com revisão obrigatória do advogado e, na busca em acervo, a resposta sempre aponta o documento de origem para conferência.
O que a OAB diz sobre o uso de IA na advocacia?+
O Conselho Federal aprovou em novembro de 2024 recomendações que pedem confidencialidade, supervisão humana e informação ao cliente antes do uso de IA. Em abril de 2026, o Tribunal de Ética da OAB/SP reforçou a supervisão pelos sócios, com política e treinamento. São orientações éticas, e ajudamos o escritório a traduzi-las em regras práticas.
O que muda com o PL 2338/2023?+
O projeto do marco legal da IA está em tramitação na Câmara e ainda não é lei. O texto prevê classificação de sistemas por risco e deveres de governança. Ter hoje política de uso, registro das ferramentas e supervisão humana deixa o escritório mais preparado para o que vier, sem depender da versão final.
Funciona com o software jurídico que já usamos?+
Na maioria dos casos, sim. Avaliamos no diagnóstico se o sistema oferece API, exportação de dados ou integração por arquivos e escolhemos o caminho mais simples. Quando a integração direta não é possível, propomos uma alternativa sem trocar o sistema do escritório.
Quanto custa implantar IA no escritório?+
Depende do escopo: um agente de WhatsApp é bem diferente de uma automação de minutas integrada ao acervo. Começamos por um diagnóstico sem custo, identificamos o uso com mais retorno e enviamos um orçamento fechado para essa primeira etapa.
Quanto tempo leva para colocar em funcionamento?+
O prazo varia com o número de integrações e com a organização dos modelos e documentos do escritório. Preferimos começar por um uso bem delimitado, colocar em produção com a equipe e só depois ampliar. O cronograma sai junto com o orçamento.
Precisamos informar o cliente que usamos IA?+
As recomendações da OAB orientam informar o cliente antes de usar IA no seu caso. Ajudamos a redigir essa comunicação e a incluir o tema no contrato de honorários ou em um termo específico, conforme a realidade do escritório.